COVID-19 | Por todo o Brasil profissionais da saúde realizam manifestações em defesa do SUS

CO Brasil é recordista mundial em mortes de profissionais de enfermagem por covid-19. De acordo com o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), foram registrados mais de 200 óbitos até o dia 19 de junho. Em média registrada em março, são duas pessoas mortas por dia. No caso dos médicos, não é diferente: cerca de 140 óbitos, segundo o Sindicato dos Médicos de São Paulo (SIMESP).

É diante dessa realidade que são realizadas neste domingo (21) manifestações presenciais e virtuais em cerca de 20 estados brasileiros em solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras da saúde, organizadas por entidades ligadas ao setor, como Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares e Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia.

Segundo Aristóteles Cardona Júnior, médico de família no sertão pernambucano e integrante da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, outro fator mobilizador das manifestações foi a marca de 1 milhão de casos confirmados e 50 mil mortos por covid-19 no Brasil, sem contar os números desconhecidos em decorrência da subnotificação. 

“É um marco triste nesse momento que a gente vive. A gente sabe que não são todas as mortes por covid-19 que são evitáveis, mas muitas poderiam ter sido evitadas se a gente tivesse uma atuação central e organizada de combate. Não é o que a gente vê por parte do governo federal”, afirma Cardona Júnior.

Para o médico, as entidades têm avaliado a repercussão das manifestações de forma positiva. “Primeiro, porque além das manifestações nas capitais, a gente também conseguiu que houvesse a mobilização em muitas cidades do interior, cidades médias, pequenas, em nosso país.” Segundo uma estimativa feita pela rede, os protestos vão desde Itapipoca (CE), Canindé (CE) e Sobral (CE) até Porto Alegre (RS), passando por Caruaru (PE), e Pacaraima (RR), e Ilhabela (SP).

Os atos, que contrastam com a invasão de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro a hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), também chamam a atenção para as declarações do capitão reformado “incentivando agressões a trabalhadores de saúde em seu ambiente de trabalho”.

“Tem um hospital de campanha perto de você, tem um hospital público, arranja uma maneira de entrar e filmar. Muita gente tá fazendo isso, mas mais gente tem que fazer, para mostrar se os leitos estão ocupados ou não, se os gastos são compatíveis ou não”, afirmou o presidente em suas redes sociais recentemente. 

Por BrasilFato / Foto reprodução

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