COVID-19 | Agora sem o medo de perder votos, governadores e prefeitos retomam restrições, diz Brasil de Fato

Passado o período de campanha eleitoral, o Brasil volta a ver estados e municípios anunciarem medidas de restrição, em uma tentativa de conter a propagação da covid-19. Durante o período das eleições, a maior parte dos municípios brasileiros tinha regras mais frouxas para o distanciamento social, mesmo diante do aumento no ritmo de crescimento de casos e mortes.

Desde antes do primeiro turno, o país já dava mostras de que a redução na velocidade da pandemia caminhava para ser revertida. Nas duas semanas antes da segunda fase do pleito, a tendência ficou ainda mais óbvia. Mesmo assim, governos locais deixaram as medidas de isolamento para o futuro. 

Nenhum governo admite que a demora para a ação teve como motivo as eleições. Mas um dos exemplos mais emblemáticos é o caso de São Paulo, em que o governador João Dória (PSDB) chegou a remarcar a data de divulgação de novas medidas para depois do segundo turno. Na disputa estava Bruno Covas, do mesmo partido do governador.

Na segunda-feira (30), um dia após a votação e o anúncio de que Covas foi reeleito, o governador paulista colocou todo o estado em fase amarela no Plano São Paulo, que guia a flexibilização da quarentena. Para a decisão, foram utilizados apenas dados da semana anterior, em que a piora foi mais amena. Uma análise dos períodos passados poderia levar o estado à medidas ainda mais rígidas.

Em participação no podcast A Covid-19 na Semana, a médica de família e comunidade Nathalia Neiva dos Santos, da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, afirma que existe uma “certa omissão” para não forçar restrição maior, inclusive nos dados de internações. “Para além da lentidão na perspectiva de tentar conter aumento da transmissão, a gente vê um certo abrandamento.”

A médica afirma ainda que o governo tinha possibilidade de se planejar antes. “Dava para prever o aumento no número de casos e antecipar o planejamento de trazer São Paulo para a fase amarela, impedindo uma progressão, já que a gente está entrando no mês de dezembro. Inevitavelmente, com o comércio aberto, as pessoas vão às compras.”

Na terça-feira (1), O Rio Grande do Sul também retomou medidas de isolamento social. Após uma sequência de flexibilizações de atividades econômicas, o governo do estado anunciou que 19 regiões estão sob bandeira vermelha no Distanciamento Controlado. Isso significa alerta máximo para conter a propagação.

No entanto, não haverá limitação de horário de circulação nas ruas, nem proibição de atividades presenciais da educação. O comércio poderá funcionar todos os dias, mas com horário limite de fechamento às 20 horas. Bares e restaurantes poderão receber clientes, desde que sentados e com distanciamento de dois metros.

Ainda na terça-feira (1), o governo do Distrito Federal publicou um decreto restringindo o horário de funcionamento de bares e restaurantes. A região vivia há meses uma sucessão de flexibilizações de medidas. A decisão desta semana foi a primeira no sentido contrário em um longo período. Já no Paraná, a gestão assinou decreto determinando toque de recolher.

Após as urnas fechadas, tanto a Prefeitura de Curitiba quanto o governo do Estado tiveram de voltar atrás na flexibilização. Na capital houve mudança no horário do comércio. A Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro também deixou as medidas para o período posterior às eleições. Na sexta-feira (4), determinou que escolas seriam fechadas. Os shoppings, no entanto, seguem autorizados a funcionar por até 24 horas. 

“A partir do momento em que se vê o aumento do número de casos, já se programa os próximos meses. A gente não pensa só no hoje e amanhã”, alerta Nathalia Neiva. Ela aponta também a falta de unidade das medidas. Em muitos casos, os governos estão liberando atividades que tem potencial de causar aglomerações.

“Você não interfere tanto na economia quando não fecha bares, shoppings. É uma das coisa que tem sido bastante conflitante na construção das políticas aqui no Brasil. Tem vários fatores envolvidos que são contraditórios. Se é para fechar os espaços onde se aglomeram pessoas, deveriam ser fechados todos.”

A médica alerta que manter espaços abertos pode levar a população à “falsa impressão” de que esses locais são seguros. Ela chama atenção para a possibilidade de agravamento do cenário nos próximos meses e para medidas individuais. “Nas festas de fim de ano, precisamos fazer os planos pensando no futuro. Para que a gente possa ter natais e anos novos com a família toda sem contrair, nas próximas celebrações, quem está faltando na foto porque faleceu devido ao coronavírus.” 

Por Brasildefato.com.br / Foto reprodução

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