FERIADO | Conheça a História da inconfidência mineira

Inconfidência Mineira, também conhecida como a Conjuração Mineira, foi uma conspiração de natureza separatista promovida pelas elites locais na então capitania de Minas Gerais. Foi descoberta e reprimida pela Coroa portuguesa antes da revolta ser iniciada em 1789. Todos os envolvidos foram presos ou degredados, com exceção de Tiradentes que foi executado em 21 de abril de 1792.

Os motivos

Desde a primeira metade do século XVIII ocorreram em Minas Gerais sucessivos motins. As razões para tais ocorrências variavam em torno de questões como impostos, abastecimento de alimentos e ações das autoridades, com destaque para a Guerra dos Emboabas e a Revolta de Filipe dos Santos.

A riqueza de Minas Gerais devido a exploração do ouro e diamantes e o controle cada vez maior da Coroa portuguesa, vinha gerando um desgaste entre a metrópole e as elites locais.

A relação deteriou-se mais ainda em 1755, com terremoto em Lisboa, que destruiu grande parte da cidade. O governante de Portugal, o Marquês de Pombal ordenou o aumento de impostos no Brasil para financiar a reconstrução de Lisboa, o que fortaleceu ainda mais a insatisfação dos colonos e o desejo e emancipação.

Os impostos do Rei

Os principais acontecimentos da Inconfidência Mineira ocorreram na cidade de Vila Rica (Ouro Preto). Devido ao ciclo do ouro, município chegou a ser a cidade mais populosa da América Latina, contando com cerca de 40 mil pessoas em 1730 e, décadas após, 80 mil. Só para se ter uma ideia, a população de São Paulo não ultrapassava 8 mil nesse período.

Vila Rica era o principal centro econômico da América Portuguesa e os homens mais ricos da colônia fariam da cidade o local de suas residências, bem como os mais destacados intelectuais.

Todas as terras do Brasil pertenciam ao Reino de Portugal. Este permitiria a qualquer súdito explorar as suas riquezas, exigindo em troca apenas uma parcela para si, ou seja, o quinto (20%). O grande problema era a forma como se procedia à arrecadação. Ninguém poderia sair da capitania, levando ouro que não tivesse sido quintado.

Apesar disso havia muita sonegação e contrabando pelos colonos. Nesse período surgiu a expressão “santo de pau oco”, pois os contrabandistas levavam ouro e pedras precisas dentro de imagens de santos. Para conter o tráfico ilegal, a Coroa portuguesa criou as Casas de Fundição e proibiu o uso do ouro em pó.

Esta medida provocou enorme descontentamento na população, pois nem todos tinham ouro suficiente para ser transformados em barras, como os mais pobres, que nunca juntavam o suficiente. Além do mais, tal proibição acabou gerando problemas sérios no comércio, uma vez que o ouro em pó constituía-se na principal moeda de troca da época, pois era fácil pesar e fragmentar.

Tão logo as casa de fundição começaram a funcionar, o rei de Portugal teve a grata satisfação de ver a sua receita real aumentar enormemente. Em 1724 foram arrecadadas em torno de 36 arrobas de ouro. No ano seguinte, a arrecadação deu um salto extraordinário, subindo para 133 arrobas.

A Inconfidência Mineira

Estes fatos atingiram diretamente a elite local de Minas Gerais, formada por proprietários rurais, comerciantes, intelectuais clérigos e militares, que, descontentes começaram a conspirar. Entre esses revoltosos destacavam-se, os contratadores João Rodrigues de Macedo e Domingos de Abreu Vieira, os padres José da Silva e Oliveira Rolim, Manuel Rodrigues da Costa e Carlos Correia de Toledo e Melo, o cônego Luís Vieira da Silva, os poetas Cláudio Manuel da Costa, Inácio José de Alvarenga Peixoto e Tomás Antônio Gonzaga, o coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes, o capitão José de Resende Costa e seu filho José de Resende Costa Filho, o sargento-mor Luís Vaz de Toledo Pisa e o alferes Joaquim José da Silva Xavier, apelidado de “Tiradentes”.

A conjuração pretendia eliminar a dominação portuguesa de Minas Gerais, estabelecendo um país independente. Não havia a intenção de libertar toda a colônia brasileira, pois naquele momento uma identidade nacional ainda não havia se formado. A forma de governo escolhida foi o estabelecimento de uma República, inspirados pelas ideias iluministas da França e da Independência dos Estados Unidos da América (1776). Não havia uma intenção de libertar os escravos, já que muitos dos participantes do movimento eram proprietários dessa mão de obra.

As reuniões aconteciam em casa de Cláudio Manuel da Costa e de Tomás Antônio Gonzaga, onde se discutiram os planos e as leis para a nova ordem, tendo sido desenhada a bandeira da nova República, — uma bandeira branca com um triângulo e a expressão latina “Libertas Quæ Sera Tamen” (liberdade ainda que tardia).

O novo governador das Minas, Luís António Furtado, visconde de Barbacena, foi enviado com ordens expressas para lançar a derrama, razão pela qual os conspiradores acertaram que a revolução deveria irromper no dia em que fosse decretado o lançamento da mesma. Esperavam que nesse momento, como apoio do povo descontente e da tropa amotinada, o movimento fosse vitorioso.

Traição e condenação dos revoltosos

A conspiração foi desmantelada em 1789. O movimento foi traído por Joaquim Silvério dos Reis, que denunciou os envolvidos para obter perdão de suas dívidas com a Coroa. A derrama foi cancelada e todos os revoltosos foram presos.

Durante o processo judicial, todos negaram a sua participação no movimento, menos o alferes “Tiradentes”, que assumiu a responsabilidade de chefia do movimento. Em 18 de abril 1792, os doze dos inconfidentes foram condenados à morte. Entretanto, em audiência no dia seguinte, foi lido decreto de Maria I de Portugal pelo qual todos, à exceção de Tiradentes, tiveram a pena comutada para prisão e degredo para a África. Tiradentes foi executado por enforcamento em 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro.

Após a execução, o corpo foi levado em uma carreta do Exército para a Casa do Trem, onde foi esquartejado. O tronco do corpo foi entregue à Santa Casa da Misericórdia, sendo enterrado como indigente. A cabeça e os quatro pedaços do corpo foram salgados, para não apodrecerem rapidamente, acondicionados em sacos de couro e enviados para as Minas Gerais, sendo pregados em pontos do Caminho Novo onde Tiradentes pregou suas ideias revolucionárias. A cabeça foi exposta em Vila Rica, no alto de um poste defronte à sede do governo. O castigo era exemplar, a fim de dissuadir qualquer outra tentativa de questionamento do poder da metrópole.

A Inconfidência Mineira transformou-se em símbolo máximo de resistência para os mineiros. Após o fim do Império, Tiradentes foi alçado à condição de mártir da independência do Brasil e como um dos precursores da República no país. A data da sua morte virou feriado nacional em 1890, logo após a Proclamação da República.

Por Uai.com.br / Ed. Nikoguru / Foto Tela de Leopoldino de Faria retratando a Resposta de Tiradentes à comutação da pena de morte dos Inconfidentes

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s