COVID-19 | Teste rápido de farmácia é confiável? Médico explica

A apresentadora Luisa Mell contou em seu Instagram, no dia 30 de abril de 2021, que foi infectada novamente pelo novo coronavírus. Sem conseguir comer, ela fez o teste de sangue em uma farmácia, que não indicou a doença. Porém, se sentindo muito cansada, fez o PCR – principal exame para detectar o vírus -, que deu positivo. Afinal, o teste rápido de farmácia para diagnosticar a covid-19 é confiável?

Em seu Instagram, Luisa Mell compartilhou uma mensagem falando de seu estado de saúde e criticou os exames sorológicos. “Vocês têm ideia do quanto este teste de sangue na farmácia é perigoso? Eu lembro quando foi liberado, que muitos especialistas criticaram”, escreveu a apresentadora.

Segundo o médico infectologista Alexandre Naime, professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista), os testes de sangue de farmácia para detectar a covid-19 têm baixa assertividade. “Eles têm uma péssima acurácia [precisão], não tem outro adjetivo”, comenta. De acordo com o especialista, um dos principais problemas é a alta chance de falso negativo – quando a pessoa está com a doença, mas a testagem indica que não.

O teste de sorologia se baseia nos anticorpos da covid-19, por isso é indicado que ele só seja feito após o 10º dia de sintomas. O exame também tem a proposta de indicar quem já foi infectado pela doença. Para Naime, essa metodologia  torna muito difícil o diagnóstico de uma infecção ativa. “A detecção depende da produção de anticorpos, que começa a acontecer entre o 10º e o 14º dia. A covid, na grande maioria dos casos, se resolve em um período de 7 a 10 dias. Ou seja, quando o indivíduo está sintomático, ele não tem anticorpos ainda, então não adianta nada fazer o teste sorológico.”

Os testes para detectar doenças se baseiam em dois conceitos: sensibilidade (quando há chance de ter um teste realmente positivo em alguém que tem a doença) e especificidade (quando o exame realmente dá negativo em quem não tem a doença).

De acordo com o infectologista Alexandre Naime, outro problema no teste de farmácia é a chance de indicar erroneamente a covid-19 – conhecidos como falsos positivos. Isso acontece porque é possível que a testagem identifique outros tipos de coronavírus diferentes do Sars-CoV-2, que causa a covid-19. “É mais fácil você acertar o diagnóstico do ponto de vista clínico, analisando sinais e sintomas, do que usar esses testes sorológicos que têm péssima qualidade”, comenta.

PCR e antígeno são melhores

Já o teste rápido de farmácia para a covid-19 por antígeno via swab (cotonete) traz um método mais eficaz. “Não chega ao patamar do PCR, mas é bem melhor [do que o de sangue]. Não é ótimo, mas é bom”, diz o infectologista.

Um dos diferenciais é a maior especificidade, que não vai apresentar falsos positivos. No entanto, se o teste de antígeno de farmácia para a covid-19 dá negativo, não é possível excluir o diagnóstico da doença – ainda mais para quem tem sintomas. Por isso, o ideal é fazer o PCR na sequência.

“Se der positivo eu já fecho o diagnóstico. Pensa em uma situação caótica em uma cidade. Se todo mundo tem sintoma, você faz triagem por antígeno. Deu positivo, você já sabe que é covid e vai para o manejo clínico. Aqueles que têm sintoma e o teste deu negativo, você tem que fazer o PCR, porque talvez seja por falta de sensibilidade do antígeno”, explica o infectologista Alexandre Naime.

Por Dci.com.br / Sarah Moura / Foto WordPress

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